terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Muito grande para parecer pequeno

O ar gelado da noite sempre trazia nele, um sentimento confuso. Uma felicidade doída. Uma saudade dessas que a gente tem que aprender a lidar. Podia sentir a grama nos seus pés, aquele misto de prazer e um certo arrepio. olhou para cima, e viu aquele céu negro. Pesado, imenso. Ele morava na cidade grande. E como quem mora na cidade grande, nunca olhava o céu, e se olhava, não via estrela, só uma poluição que incomodava. Com o passar do tempo, o aumentar da pressa, aprendera a olhar para o chão. Para os seus pés, seguros de si, sempre sabendo onde ir. O mais alto que olhava, era na direção dos olhos. Um metro de sessenta e cinco de visão de mundo. Nessa altura tudo era pressa, prédio, carro, gente indo, vindo, uns que sorriam, um que chorava. Tudo era concreto. Era gente não tão bonita, não tão bem vestida. Era gente que morava na rua. Ele, dono dos seus 1,65, reparava nesses detalhes. E tinha o medo. Medo de ficar escuro, perigoso. Medo da noite. Medo do mundo. Foi quando deitado naquela montanha que só podia existir em Minas, no silêncio que só pode haver quando todo mundo se entende, ele percebeu. Percebeu, ao olhar o negro céu, pesado, imenso, escuro como ébano; que haviam estrelas. Minúsculos pontos prateados, como se em um grosso nanquim houvessem derrubado um brocado, uns brilhantes. Eram tão pequenas quanto as pessoas da cidade grande. E numerosas também. Verdade mesmo, que só apreciam quando a luz dos prédios e dos postes se apagavam. Verdade também que quase ninguém parava para reparar nelas. Mas estavam lá. Eram como um sorriso naquele céu que se impunha. Aquele céu assustador, que tampava todo mundo, como que sempre avisando que havia algo maior. De repente, ali tão sozinho e pequeno, deitado na grama de uma montanha que havia levado anos para ter se formado, olhando para aquela imensidão toda, ele se sentiu enorme. Ele tinha que ser alguém muito grande para suportar aquele beleza toda. Sem medo. Ele estava em casa.

Um comentário:

Lara Miranda disse...

Lindo gi, poste sempre (: