sexta-feira, 8 de março de 2013

Sem cobrar perfeição

É batata. Abrir uma revista feminina e dar de cara com ordens de como ser, como se vestir, como arrumar um namorado. Fotos daquelas mulheres (quase) perfeitas, com cabelos brilhantes e sorrisos irreais. Modelos, cantoras, it girl do momento. Produtos que você deve usar para ficar como elas, frases que nunca se deve dizer no primeiro encontro e mais umas cem páginas que servem de manual da mulher moderna. Um kit de sobrevivência. Tudo o que você precisa saber para ser bem sucedida, linda, rica e feliz. Qualquer edição, qualquer ano, o formato é um só: ditar as regras. Quantas vezes você já agiu da forma como a revista te orientou, e não do jeito que queria agir? Amiga, cá entre nós, você acredita mesmo em todo cabelo que vê nas revistas? Claro que existem mulheres fabulosas. Claro que existem coisas que não se diz para o chefe, produtos que melhoram seus cabelos e te deixam mais feliz. O que não existe é uma regra que se encaixe em todos os estilos de vida, em toda mulher. Por que você não se livra dessas correntes invisíveis? Quer usar roupa fora de moda? Usa. Quer ir morar junto no primeiro mês de namoro? Vai. Quem define o certo e o errado é você. Esses limites padrões não te servem! Imagine só, se as mulheres mais incríveis do mundo tivessem seguido regras, se poupado de coisas porque outra pessoa disse que é-assim-que-tem-que-ser? Grandes descobertas, grandes aventuras e grandes pessoas surgem por meio de erros, de tentar algo diferente. Mas, antes que me processem, me atirem chapinhas ou qualquer coisa do tipo, que fique claro: sou a favor das revistas. Pessoas precisam de entretenimento, inspirações e (algumas delas) noção. E ler é a melhor forma de agregar valores e fazer pensar. O que não acredito, é que você, cheia de sonhos, vontades, preferências e opiniões, queira sair dessa linha de produção. Celebremos as esquisitices, os erros, os dias de cabelo péssimo e as escapulidas da dieta. Porque não é por nada não, mas ser perfeita deve ser um saco!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Muito grande para parecer pequeno

O ar gelado da noite sempre trazia nele, um sentimento confuso. Uma felicidade doída. Uma saudade dessas que a gente tem que aprender a lidar. Podia sentir a grama nos seus pés, aquele misto de prazer e um certo arrepio. olhou para cima, e viu aquele céu negro. Pesado, imenso. Ele morava na cidade grande. E como quem mora na cidade grande, nunca olhava o céu, e se olhava, não via estrela, só uma poluição que incomodava. Com o passar do tempo, o aumentar da pressa, aprendera a olhar para o chão. Para os seus pés, seguros de si, sempre sabendo onde ir. O mais alto que olhava, era na direção dos olhos. Um metro de sessenta e cinco de visão de mundo. Nessa altura tudo era pressa, prédio, carro, gente indo, vindo, uns que sorriam, um que chorava. Tudo era concreto. Era gente não tão bonita, não tão bem vestida. Era gente que morava na rua. Ele, dono dos seus 1,65, reparava nesses detalhes. E tinha o medo. Medo de ficar escuro, perigoso. Medo da noite. Medo do mundo. Foi quando deitado naquela montanha que só podia existir em Minas, no silêncio que só pode haver quando todo mundo se entende, ele percebeu. Percebeu, ao olhar o negro céu, pesado, imenso, escuro como ébano; que haviam estrelas. Minúsculos pontos prateados, como se em um grosso nanquim houvessem derrubado um brocado, uns brilhantes. Eram tão pequenas quanto as pessoas da cidade grande. E numerosas também. Verdade mesmo, que só apreciam quando a luz dos prédios e dos postes se apagavam. Verdade também que quase ninguém parava para reparar nelas. Mas estavam lá. Eram como um sorriso naquele céu que se impunha. Aquele céu assustador, que tampava todo mundo, como que sempre avisando que havia algo maior. De repente, ali tão sozinho e pequeno, deitado na grama de uma montanha que havia levado anos para ter se formado, olhando para aquela imensidão toda, ele se sentiu enorme. Ele tinha que ser alguém muito grande para suportar aquele beleza toda. Sem medo. Ele estava em casa.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Você ama muitos, ou você não sabe o que é amor?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Vem comigo?

Vem cá, deixa eu te contar sobre mim. Mas você promete não se assustar? Só eu tenho o direito de me criticar. Mudei. Com o tempo, com a vida, com as histórias. Não tenho mais as mesmas opiniões, tenho cometido mais erros, dando uma chance para as coisas, dando uma chance para um outro lado meu. E que maravilhoso tem sido! Pensando mais em mim, fazendo as coisas que eu quero fazer, sem planejar muito, aproveitar essa coisa incrível que chamo de vida. Se ainda me preocupo com o futuro? É claro, meu bem. Meu futuro é sempre motivo para que possa continuar. Mas, por que não aproveitar esse meu presente, que nunca mais será o mesmo? Me deixa tá. Me deixa errar, dançar, sorrir, chorar, perdoar, começar algo novo, jogar tudo pro alto, beber, ler, ser quem eu quero ser. E quem eu quero ser? Eu não sei. Mas não se preocupa, eu sei o que eu não quero. Você vai vir comigo? Por favor, venha! Deixa eu compartilhar essas mudanças com você! Deixa eu te contar dos meus erros, da minha sexta-feira, deixa eu compartilhar com você! Não se assusta, não se assusta... Eu ainda sou quem você conheceu. Mas mudar, ah mudar! Isso é viver, é a prova de que eu respiro, a prova de vale a pena. Vem comigo se quiser, porque eu tenho certeza de que essa vida vale a pena ser vivida. Fora da bolha que nós mesmos criamos. Mas se você não quiser vir, que desperdício meu bem! Você vai perder, porque ainda há tanto para acontecer!

domingo, 1 de abril de 2012

Nem sei por onde começar

São tantas coisas para carregar que me sinto vazia.
São tantas coisas que eu gostaria de te dizer, de te explicar. Tenho tanto para desabafar.
Sinto saudade, medo, ansiedade, tudo misturado, complexo, doendo um pouco no peito.
Não sei nem o que escrever, nem dá tempo de organizar tudo de uma forma linear, poética, bonita e emocionante.
Não há nada de lindo em estar desanimada, perdida, amedrontada.
Ao mesmo tempo, isso é se sentir viva e não há nada mais lindo do que viver.
Só queria calmaria, ao mesmo tempo que queria que alguém me enlouquecesse.
Só queria paz, ao mesmo tempo que queria tudo de maravilhoso hoje.
To esperando algo grande, to fingindo que não vejo.
To tentando levar, mas é a vida que está me levando.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

E se

E eu acordaria você na sua casa com um beijinho e um sorriso. Talvez pudéssemos tomar um café juntos, talvez eu só deitaria na sua cama ainda quente e lá estaríamos, juntos, conversando enquanto sentia seu cheiro. E se talvez, naquela sua festa de família, seus avós gostassem de mim? Poderíamos falar por horas e eu adoraria ouvir as histórias da sua família. Talvez o pôr do sol tivesse mais graça se eu pudesse pensar em você. E imagine só, como eu iria bagunçar seu quarto inteiro, vendo todos os livros que você tem. E poderíamos passar horas discutindo hipóteses, tristezas e finais inacreditáveis de cada livro. Depois você me beijaria. E eu te beijaria. E que incrível seria se você me acordasse no meio da noite com uma ligação inesperada? Talvez quisesse só ouvir minha voz. E aquela cerveja com pizza no fim de tarde, faria todo sentido depois de um filme. E o cinema acompanhados? Talvez a gente assistisse algo, ou não... Eu mandaria uma mensagem com uma dúvida e você estaria lá. E quando se sentisse sozinho, sem ninguém te entender, eu estaria ali! Sempre estaria, você me conhece. Eu poderia conversar com você e quem sabe, sua cabeça no meu colo e seus problemas não se resolveriam? E no fim da noite eu estaria com meu pijama enquanto você fumava na janela.
Quanta coisa a gente esteve a um triz de viver e não viveu?
Quantos filmes, músicas, trechos de livros, cafés, refrigerantes, praças, momentos deixaram de ser nossos?
Porque "nós" nunca existiu de fato.
E tudo porque você não quis...
Ah! Agora tenho que esquecer, todas essas lembranças que por culpa sua, e somente sua, não vivemos juntos...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Mais beleza para nós

Luzia era uma menina pobre de coisas bonitas. Nunca na sua vida tinha visto um céu lindo, nunca tinha visto uma árvore cheia de vida, nunca tinha cheirado uma flor, escutado uma bela canção ou visto algum rosto lindo no meio da multidão cinzenta. Luzia era bem medíocre, para dizer assim, rápido e sem enrolação. Ela não sabia o que era amar algo, apreciar uma comida, conversar, ler. Nunca tinha visto beleza em nada na sua vida. Nunca tinha olhado para algo bonito. Nunca tinha visto alma dentro dos olhos de ninguém, ou cantarolado uma canção que fosse a mais bela de todas.
Um dia Luzia realmente abriu os olhos e enxergou com o coração. Havia uma imensidão azul, nuvens por toda parte. Haviam árvores grandiosas e belíssimas. Flores delicadas e perfeitas, cheirosas... Havia o gosto de uma refeição deliciosa em sua boca. Havia areia macia nos seus pés. Havia o barulho do mar, o cantar dos pássaros. Também havia alguma música incrível, que fez com ela se perturbasse por dentro. De repente, tudo era bonito. Rostos de pessoas tão leves e doces, tão bonitos. Olhos grandes, olhos que sorriam. Gargalhadas, abraços. Luzia se sentiu abraçada por tudo isso.
Era muita coisa bonita para se amar. E Luzia ficou extasiada, de tanto amor bonito. Era mais do que a pobre menina podia suportar, a vida era linda demais para ela. Luzia não aguentava tudo isso de beleza para amar. E então ela ficou tão cheia de amor que não coube mais nada para se apreciar. Ela caiu no chão, exausta, se perguntando: "Desde quando a vida é tão linda assim?"