Houve um terremoto. Tudo desmoronou e caiu sobre as cabeças daquelas pessoas. Vidas, momentos e sonhos interrompidos. Tudo rápido e forte. Havia um casal. Um jovem casal que tinha poucos meses de namoro. Eles estavam em casa juntos. Vendo um filme. O filme não importa. Talvez naquela hora podiam até se importar com o que estavam vendo. Engraçado como um segundo é suficiente para mudar prioridades de qualquer um.
Ela sonhava em ficar velha ao lado dele. E ele queria estar com ela enquanto fosse bom. Mas foram interrompidos. Ela mexeu os braços com dificuldade e tocou nos dedos dele.
As pernas dormiam, a cabeça doía. Tudo parecia ir se esvaecendo. Tudo estava no fim.
—Eu gostaria de passar o resto dos meus dias com você. – Disse ela com dificuldade.
—Eu também.
—Qual será o fim do filme?
—Não importa mais. – A voz grossa dele, ficava distante.
—Eu espero... Eu espero te encontrar de novo.
—Você nunca vai se afastar.
—Sabe... Eu sinto... Eu sinto que estou indo.
—Segure minha mão. – eles entrelaçaram seus dedos com dificuldade, o peso da vida esmagando seus corpos.
—Estamos juntos. – Ela disse.
—E ficamos juntos até o fim das nossas vidas.
—Era tudo que eu queria.
E então, adormeceram, e a sensação de sufoco desapareceu lentamente. O final do filme já não importava. Havia algo muito maior esperando por eles.
sábado, 26 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Mark. Kathy.
Seus cabelos voavam lentamente de acordo com o vento. Encostavam-se a seu ombro delicado. Havia o sol. E o sol iluminava seu rosto pálido. E o sol iluminava seus olhos. Sempre os olhos... Mark poderia olhar para Kathy o dia todo. Se prender a cada detalhe do seu rosto perfeito. Havia o brilho. E o brilho era o que prendia Mark. Nos olhos. Será que eram assim porque eram da mulher que ele amava? Ou talvez isso fosse dela. Talvez só Kathy fosse capaz de ter aqueles olhos. Talvez, toda a alma dela estivesse lá. Ela sorriu. Com seu sorriso branco, reluzente. E seus cabelos voavam. Os longos fios castanhos batiam de leve no pescoço. Eram suaves. Todo seu ser passava paz. E nesse momento Mark tinha a certeza de que a amava.
Estavam na montanha. Tudo tinha um brilho diferente. Tudo era luz. Kathy estava ao lado de Mark em silêncio. Ninguém havia dito nada desde que chegaram ali. No outro dia, haviam tido emoções fortes demais. Ela estava despreocupada, como se tudo fosse aquele instante. Não haveria depois. Aquele era o momento. Estar ao lado de Mark, que, mesmo em silêncio dizia muita coisa. Mark tinha uma expressão séria. Suas mãos estavam um pouco cerradas. Como se ele se controlasse. Kathy olhou fixamente para Mark e ele não pode deixar de observar mais uma vez, como ela estava linda.
Só para nunca me esquecer deles.
Estavam na montanha. Tudo tinha um brilho diferente. Tudo era luz. Kathy estava ao lado de Mark em silêncio. Ninguém havia dito nada desde que chegaram ali. No outro dia, haviam tido emoções fortes demais. Ela estava despreocupada, como se tudo fosse aquele instante. Não haveria depois. Aquele era o momento. Estar ao lado de Mark, que, mesmo em silêncio dizia muita coisa. Mark tinha uma expressão séria. Suas mãos estavam um pouco cerradas. Como se ele se controlasse. Kathy olhou fixamente para Mark e ele não pode deixar de observar mais uma vez, como ela estava linda.
Só para nunca me esquecer deles.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Medo de dar certo.
Foi o perdendo pouco à pouco. Com seus erros, seu orgulho. E agora, nada mais resta, apenas algumas lembranças. Boas e ruins. Não importa. Lembranças do que foi. Saudade do que poderia ter sido. Ele sempre estivera lá. Sempre dizia as palavras certas. Era sempre o mesmo. Constante. E ela admirava essa qualidade de tal maneira! Havia procurado isso por tanto tempo.Alguns diziam que era o cara certo, outros não gostavam dele. Mas, Laura nunca soube se o conhecia realmente, ou se ele era muito bom em fingir. Trabalhavam juntos e foram se conhecendo aos poucos. Ele era tudo que um homem deveria ser. E ela era tudo que ele precisava. Mas, o tempo foi matando os sentimentos. Os sentimentos não... Eles existiam, e nem sempre eram lembrados. O tempo foi matando a vontade de tentar fazer dar certo.
Fazer dar certo...
Deveria dar certo sem tentar, deveria ser natural. Amor é natural. Mas não havia sido assim.
Era impossível achar algum erro grave naquele romance. Mas, talvez o medo de tudo realmente dar certo teria assustado Laura. Depois de uma decepção amorosa, as pessoas passam a não confiar tanto em si. Não confiar tanto nos outros.
Porém, eles estavam dando certo. E poderiam continuar assim, mas, as coisas não quiseram.
A vida não quis.
E, apesar de achar que era tudo perfeito, havia algo que não os deixou em paz. E esse algo, quando alimentado, cresce e mata tudo em volta.
Aparente orgulho escondendo insegurança.
Ainda bem que; para Laura, não existia um só amor na vida. Ela acreditava em momentos, e eternizaria os bons momentos que havia tido ao lado dele.
E só.
Fazer dar certo...
Deveria dar certo sem tentar, deveria ser natural. Amor é natural. Mas não havia sido assim.
Era impossível achar algum erro grave naquele romance. Mas, talvez o medo de tudo realmente dar certo teria assustado Laura. Depois de uma decepção amorosa, as pessoas passam a não confiar tanto em si. Não confiar tanto nos outros.
Porém, eles estavam dando certo. E poderiam continuar assim, mas, as coisas não quiseram.
A vida não quis.
E, apesar de achar que era tudo perfeito, havia algo que não os deixou em paz. E esse algo, quando alimentado, cresce e mata tudo em volta.
Aparente orgulho escondendo insegurança.
Ainda bem que; para Laura, não existia um só amor na vida. Ela acreditava em momentos, e eternizaria os bons momentos que havia tido ao lado dele.
E só.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Cegueira.
—Faça isso.
—Você fala sério?
—Falo o que você deseja ouvir.
—Mas, Camila, eu preciso da sua opinião, de verdade!
—Querida, você não vai gostar.
—Por favor.
—Bem... De que vai adiantar? Digo, você acha que precisa, mas eu não acredito nisso.
—Mas amiga, eu sinto falta de ver as pessoas, as ruas, as coisas, a vida! Estamos cegas! E que alegria podemos ter se não podemos ver as coisas belas do mundo?
—Eu as vejo.
—Como?
—Jane. Quantas pessoas você já conheceu que podia enxergar?
—Inúmeras. Centenas.
—E quantas se importam e olhar? Quantas realmente veem?
—O que você define por ver...
—É sentir. Com a alma. Não é necessário olhos para se ver a vida. A vida está dentro de você.
—O pôr do sol! Camila! Eu nunca mais o vi!
—Eu não posso ver a luz do sol, é verdade. Mas minha pele ainda sente seu calor. Eu posso sentir até sua luz. Mas, me diga Jane, quantas pessoas pode ver o sol e ainda estão no frio, na escuridão?
—Você fala sério?
—Falo o que você deseja ouvir.
—Mas, Camila, eu preciso da sua opinião, de verdade!
—Querida, você não vai gostar.
—Por favor.
—Bem... De que vai adiantar? Digo, você acha que precisa, mas eu não acredito nisso.
—Mas amiga, eu sinto falta de ver as pessoas, as ruas, as coisas, a vida! Estamos cegas! E que alegria podemos ter se não podemos ver as coisas belas do mundo?
—Eu as vejo.
—Como?
—Jane. Quantas pessoas você já conheceu que podia enxergar?
—Inúmeras. Centenas.
—E quantas se importam e olhar? Quantas realmente veem?
—O que você define por ver...
—É sentir. Com a alma. Não é necessário olhos para se ver a vida. A vida está dentro de você.
—O pôr do sol! Camila! Eu nunca mais o vi!
—Eu não posso ver a luz do sol, é verdade. Mas minha pele ainda sente seu calor. Eu posso sentir até sua luz. Mas, me diga Jane, quantas pessoas pode ver o sol e ainda estão no frio, na escuridão?
domingo, 28 de novembro de 2010
Simples
A total falta de jeito dela com crianças, o encantava. Manuela tentava brincar com aquele pequeno ser, que parecia mais forte do que ela. Não lhe dava atenção, jogava os brinquedos no chão e emitia sons indecifráveis. Ela apenas sorria e passava a mão em sua cabecinha. Luís observava a cena escondido atrás da porta. Álias observá-la era uma das coisas que mais o deixava feliz. Como era pura e simples. Simplicidade... Uma qualidade tão pouco apreciada. Nela, era tão encantador. A forma como sorria, sem preocupações, o jeito que seus cabelos castanhos lhe caiam no ombro, leve. O modo como mexia as mãos. Seu jeito doce e ao mesmo tempo instigante de andar.
Decifrá-la era fácil. Sentia. E sabia o que sentia. Não tinha cicatrizes da vida. Não tinha medos, não tinha frustrações. Era puramente simples. Não sabia lidar com crianças e não escondia isso. Amava Luís, e apesar de não dizer todos os dias, ele sabia porque, quando chegava sentia o sorriso e o olhar apaixonado dela. Manuela ficava vermelha, o corpo todo tremia quando ele estava por perto. Ela não se importava em esconder e esses detalhes Luís nunca esqueceria.
A observava em sua perfeita imperfeição. A observava de longe, não querendo interferir naquele momento tão dela. Mas acabou emitindo um som sem querer, e sentiu os olhos dela pousarem sobre ele, rápidos.
Levantou-se e disse a Luís:
— Você estava escondido me olhando? – e sorriu, os dentes brancos contrastando com seus olhos negros. Sua voz extremamente doce e calma.
—É. Estava.
—Por que?
—Porque eu gosto de te ver.
—Por que?
—Porque a gente gosta de ver aquilo que ama.
—Então, você me ama?
—Eu amo.
—Eu já sabia.
—Sabia como?
—Sabendo. Amor a gente sente. Você sente o meu?
—Eu... Eu não sei...
—Eu te amo.
—Tenho que sentir o amor que você tem?
—Pega na minha mão. E diz o que sente.
—Você treme um pouco. E está suando frio.
—Você sente isso então?
—Sim.
—É amor. – e sorriu, simplesmente.
Decifrá-la era fácil. Sentia. E sabia o que sentia. Não tinha cicatrizes da vida. Não tinha medos, não tinha frustrações. Era puramente simples. Não sabia lidar com crianças e não escondia isso. Amava Luís, e apesar de não dizer todos os dias, ele sabia porque, quando chegava sentia o sorriso e o olhar apaixonado dela. Manuela ficava vermelha, o corpo todo tremia quando ele estava por perto. Ela não se importava em esconder e esses detalhes Luís nunca esqueceria.
A observava em sua perfeita imperfeição. A observava de longe, não querendo interferir naquele momento tão dela. Mas acabou emitindo um som sem querer, e sentiu os olhos dela pousarem sobre ele, rápidos.
Levantou-se e disse a Luís:
— Você estava escondido me olhando? – e sorriu, os dentes brancos contrastando com seus olhos negros. Sua voz extremamente doce e calma.
—É. Estava.
—Por que?
—Porque eu gosto de te ver.
—Por que?
—Porque a gente gosta de ver aquilo que ama.
—Então, você me ama?
—Eu amo.
—Eu já sabia.
—Sabia como?
—Sabendo. Amor a gente sente. Você sente o meu?
—Eu... Eu não sei...
—Eu te amo.
—Tenho que sentir o amor que você tem?
—Pega na minha mão. E diz o que sente.
—Você treme um pouco. E está suando frio.
—Você sente isso então?
—Sim.
—É amor. – e sorriu, simplesmente.
sábado, 2 de outubro de 2010
Se deixar
Ela se sentou um pouco distante dos trilhos do trem. Seus pensamentos voavam longe, enquanto estava ali, completamente só. Ventava.
Pensava em muitas coisas. Desde sua prova, passando pela saudade de seu pai, até chegar nele. Sempre havia um misto de tristeza e felicidade quando pensava nele.
Mas, pensando nele ela era levada a pensar nela. E como é difícil pensar em nós mesmos. Como dói às vezes admitir que havia dentro de si medo, erros, dúvidas e dor.
O trem estava vindo. O barulho da maria-fumaça. Ficando cada vez mais próximo. Seus pensamentos aumentavam a medida que o trem se aproximava.
Ela era um clímax. Tudo era assim na sua vida. Estava sempre no ponto crucial. Sempre pronta para o que viria a acontecer. O trem se aproximava. Todo clímax deveria ter um desfecho. Quando o trem passasse por ela e depois desaparecesse, seria o desfecho. E sua vida? Não, sua vida nunva tinha uma conclusão.
Tudo era clímax. Tudo era crucial. Cada palavra importava, cada atitude, mais ainda. Quem era ela? Qual seria seu despecho?
O trem passou na sua frente. Rápido, o vento aumentou, levantando seus cabelos.
Algums minutos em que viveu aquele clímax, fez mais perguntas a si mesma.
O trem estava indo embora. E e ela ficava. E foi então que descobriu.
Era preciso ser forte, e ao menos uma vez se deixar levar.
Pensava em muitas coisas. Desde sua prova, passando pela saudade de seu pai, até chegar nele. Sempre havia um misto de tristeza e felicidade quando pensava nele.
Mas, pensando nele ela era levada a pensar nela. E como é difícil pensar em nós mesmos. Como dói às vezes admitir que havia dentro de si medo, erros, dúvidas e dor.
O trem estava vindo. O barulho da maria-fumaça. Ficando cada vez mais próximo. Seus pensamentos aumentavam a medida que o trem se aproximava.
Ela era um clímax. Tudo era assim na sua vida. Estava sempre no ponto crucial. Sempre pronta para o que viria a acontecer. O trem se aproximava. Todo clímax deveria ter um desfecho. Quando o trem passasse por ela e depois desaparecesse, seria o desfecho. E sua vida? Não, sua vida nunva tinha uma conclusão.
Tudo era clímax. Tudo era crucial. Cada palavra importava, cada atitude, mais ainda. Quem era ela? Qual seria seu despecho?
O trem passou na sua frente. Rápido, o vento aumentou, levantando seus cabelos.
Algums minutos em que viveu aquele clímax, fez mais perguntas a si mesma.
O trem estava indo embora. E e ela ficava. E foi então que descobriu.
Era preciso ser forte, e ao menos uma vez se deixar levar.
sábado, 25 de setembro de 2010
Seja...
"Seja. Me leve daqui, me leve embora, me faça mudar de ideia, seja quem eu preciso."
"Então seja minha."
"Eu sempre fui. Você sabe. Você me conhece."
"Não. Me diga. Me diga suas verdades, eu quero saber."
"Você é minha única verdade."
"Não sou. Você sabe."
"Seja..."
"Eu quero ser, me diga, o quê?"
"Você sabe... Seja..."
"Eu serei meu amor, basta você dizer o que quer de mim, e eu farei."
"Ah... Eu quero que você seja."
"Não chore... Por favor, não chore... Me abrace. Isso, assim. Me abrace e eu serei."
"Você é."
"Sou?"
"É."
"Desde quando?"
"Desde sempre."
"Sou... Sempre quis ser. o 'ser' de alguém."
"Ah, você é... Como nunca percebi antes..."
"Agora me diga, sou... Sou o que?"
"É. Você é. Minha parte mais bonita, meu amor mais intenso, minha felicidade mais pura, meu abraço mais sincero, meu amigo mais verdadeiro, meu namorado mais amado. É minha calma, minha paz, minha certeza, minha plenitude. Você é... Você é tudo. Mais do que eu mereço, tudo o que eu sempre quis. Eu nunca mais quero me separar de você."
"Você não vai. Uma vez sendo, sempre serei."
"Você sempre será..."
"Então seja minha."
"Eu sempre fui. Você sabe. Você me conhece."
"Não. Me diga. Me diga suas verdades, eu quero saber."
"Você é minha única verdade."
"Não sou. Você sabe."
"Seja..."
"Eu quero ser, me diga, o quê?"
"Você sabe... Seja..."
"Eu serei meu amor, basta você dizer o que quer de mim, e eu farei."
"Ah... Eu quero que você seja."
"Não chore... Por favor, não chore... Me abrace. Isso, assim. Me abrace e eu serei."
"Você é."
"Sou?"
"É."
"Desde quando?"
"Desde sempre."
"Sou... Sempre quis ser. o 'ser' de alguém."
"Ah, você é... Como nunca percebi antes..."
"Agora me diga, sou... Sou o que?"
"É. Você é. Minha parte mais bonita, meu amor mais intenso, minha felicidade mais pura, meu abraço mais sincero, meu amigo mais verdadeiro, meu namorado mais amado. É minha calma, minha paz, minha certeza, minha plenitude. Você é... Você é tudo. Mais do que eu mereço, tudo o que eu sempre quis. Eu nunca mais quero me separar de você."
"Você não vai. Uma vez sendo, sempre serei."
"Você sempre será..."
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