sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Tanto faz
Ele escolheu o dia de céu azul para não se importar. E não se importava. Passaram pessoas por ele. Pessoas que ele não gostava, e ele não se importou. O atraso do ônibus, o lixo na rua: ele não se importou. O fone quebrado no meio do caminho para casa também não importou. Aquele exercício difícil de física que ele errou: sem drama. Quando as pessoas não ligavam para a opinião dele: ele não se importou. Também não importava a grosseria alheia nem a gentileza. Nem se iria chover, ou se ele fosse demitido do trabalho. Alguém disse "bom dia" e ele respondeu com um sorriso. Uma garota o olhou na rua, e ele não se importou. As horas iam passando e tudo o que ele sabia fazer era sobreviver e quase não sentir.
No fim do dia, a mulher que ele amava foi conversar com ele. Ela era inconstante e ele não sabia em que palavras dela podia acreditar. Talvez o amasse, talvez só o queria para dar uns beijos. Ela sorria e falava coisas bonitas. Logo menos, ela iria agir como se nem o conhecesse. Ele quase se importou.
sábado, 27 de julho de 2013
Escrito em março.
O olhava enquanto ele dizia com palavras tristes, do sofrimento que um dia teve. Não dava detalhes sobre, mas ela tinha olhos grandes para notar nos dele, que uma mágoa existia. Não podia fazer nada, mas queria fazer muito. No silêncio que se fez, ela queria poder tirar dele o que havia acontecido, mudar o passado, que ocorreu bem antes dela pensar em existir.
Diante das poucas atitudes que podia tomar, o abraçou e colocou sua cabeça sobre seu colo, como quem cuida de uma criança. Acariciou seus cabelos, fez o que pôde. Cuidou da dor de quem amava.
Se entender, me explique (2)
Tenho medo do tempo perdido. É o que mais temo. Das chances desperdiçadas. Daquele que poderia ser o amor da sua vida e não foi. De acordar um dia e ver que eu poderia ter tido tudo. E neguei. Fui negada.
Tenho um prazer em viver. Dias chuvosos me alegram, dias de sol também. A calma de ficar sozinha me agrada. A companhia dos amigos também. E por saber o quão preciosa é a vida, o quão sortuda eu sou por estar aqui, que temo. Cada segundo desperdiçado é uma eternidade. Não quero perder tempo. Não que sofrer seja uma negação da vida, pelo contrário. Mostra o quanto sinto na pele tudo. Mas nunca suportei a ideia de finais tristes. Nunca suportei a ideia de não ser feliz, de não escolher aquilo que me dá calafrios, que faz as pernas tremerem. Quero que a vida seja sempre cheia de emoções. Que o sorriso seja o maior possível, mesmo que para isso existam lágrimas amargas no final. O importante é que tudo que eu pude fazer, foi feito. Escolher sempre o que é bom. O que me faz feliz. Permitir que os outros se aproximem. Não rejeitar quem só quer meu bem. Não ter a sensação de que mesmo com tantas pessoas, eu possa estar sozinha. Não. É uma questão de escolha. Escolhi pessoas verdadeiras para comigo estarem. E cuido delas para que se aproximem. E que gostem de ficar.
E quem tem medo de viver? Medo de amar como nunca, medo de alguém descobrir quem você é. Medo de ser feliz de verdade. Gente que inventa um papel. Não ignoro os sentimentos que levaram uma pessoa a se esconder dos outros. Mas tenho pena de que ela perceba tarde demais que a vida é algo muito belo para ser desperdiçado. E muito grande, para ser pequeno.
Sorte daqueles que podem estar tão próximos de mim que me conhecem. Não são todos. Alguns vão embora. Alguns não tem força suficiente para aguentar uma vida que não seja de mentira. Uma pena. Para quem ficar; não há arrependimentos. Terão tudo de mim. Que assim seja.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Sem cobrar perfeição
É batata. Abrir uma revista feminina e dar de cara com ordens de como ser, como se vestir, como arrumar um namorado. Fotos daquelas mulheres (quase) perfeitas, com cabelos brilhantes e sorrisos irreais. Modelos, cantoras, it girl do momento. Produtos que você deve usar para ficar como elas, frases que nunca se deve dizer no primeiro encontro e mais umas cem páginas que servem de manual da mulher moderna. Um kit de sobrevivência. Tudo o que você precisa saber para ser bem sucedida, linda, rica e feliz.
Qualquer edição, qualquer ano, o formato é um só: ditar as regras. Quantas vezes você já agiu da forma como a revista te orientou, e não do jeito que queria agir? Amiga, cá entre nós, você acredita mesmo em todo cabelo que vê nas revistas? Claro que existem mulheres fabulosas. Claro que existem coisas que não se diz para o chefe, produtos que melhoram seus cabelos e te deixam mais feliz. O que não existe é uma regra que se encaixe em todos os estilos de vida, em toda mulher.
Por que você não se livra dessas correntes invisíveis? Quer usar roupa fora de moda? Usa. Quer ir morar junto no primeiro mês de namoro? Vai. Quem define o certo e o errado é você. Esses limites padrões não te servem! Imagine só, se as mulheres mais incríveis do mundo tivessem seguido regras, se poupado de coisas porque outra pessoa disse que é-assim-que-tem-que-ser? Grandes descobertas, grandes aventuras e grandes pessoas surgem por meio de erros, de tentar algo diferente.
Mas, antes que me processem, me atirem chapinhas ou qualquer coisa do tipo, que fique claro: sou a favor das revistas. Pessoas precisam de entretenimento, inspirações e (algumas delas) noção. E ler é a melhor forma de agregar valores e fazer pensar. O que não acredito, é que você, cheia de sonhos, vontades, preferências e opiniões, queira sair dessa linha de produção.
Celebremos as esquisitices, os erros, os dias de cabelo péssimo e as escapulidas da dieta. Porque não é por nada não, mas ser perfeita deve ser um saco!
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Muito grande para parecer pequeno
O ar gelado da noite sempre trazia nele, um sentimento confuso. Uma felicidade doída. Uma saudade dessas que a gente tem que aprender a lidar.
Podia sentir a grama nos seus pés, aquele misto de prazer e um certo arrepio. olhou para cima, e viu aquele céu negro. Pesado, imenso.
Ele morava na cidade grande. E como quem mora na cidade grande, nunca olhava o céu, e se olhava, não via estrela, só uma poluição que incomodava. Com o passar do tempo, o aumentar da pressa, aprendera a olhar para o chão. Para os seus pés, seguros de si, sempre sabendo onde ir. O mais alto que olhava, era na direção dos olhos. Um metro de sessenta e cinco de visão de mundo. Nessa altura tudo era pressa, prédio, carro, gente indo, vindo, uns que sorriam, um que chorava. Tudo era concreto. Era gente não tão bonita, não tão bem vestida. Era gente que morava na rua. Ele, dono dos seus 1,65, reparava nesses detalhes.
E tinha o medo. Medo de ficar escuro, perigoso. Medo da noite. Medo do mundo.
Foi quando deitado naquela montanha que só podia existir em Minas, no silêncio que só pode haver quando todo mundo se entende, ele percebeu. Percebeu, ao olhar o negro céu, pesado, imenso, escuro como ébano; que haviam estrelas. Minúsculos pontos prateados, como se em um grosso nanquim houvessem derrubado um brocado, uns brilhantes. Eram tão pequenas quanto as pessoas da cidade grande. E numerosas também. Verdade mesmo, que só apreciam quando a luz dos prédios e dos postes se apagavam. Verdade também que quase ninguém parava para reparar nelas. Mas estavam lá. Eram como um sorriso naquele céu que se impunha. Aquele céu assustador, que tampava todo mundo, como que sempre avisando que havia algo maior. De repente, ali tão sozinho e pequeno, deitado na grama de uma montanha que havia levado anos para ter se formado, olhando para aquela imensidão toda, ele se sentiu enorme. Ele tinha que ser alguém muito grande para suportar aquele beleza toda. Sem medo. Ele estava em casa.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Vem comigo?
Vem cá, deixa eu te contar sobre mim. Mas você promete não se assustar? Só eu tenho o direito de me criticar.
Mudei. Com o tempo, com a vida, com as histórias. Não tenho mais as mesmas opiniões, tenho cometido mais erros, dando uma chance para as coisas, dando uma chance para um outro lado meu.
E que maravilhoso tem sido! Pensando mais em mim, fazendo as coisas que eu quero fazer, sem planejar muito, aproveitar essa coisa incrível que chamo de vida.
Se ainda me preocupo com o futuro? É claro, meu bem. Meu futuro é sempre motivo para que possa continuar. Mas, por que não aproveitar esse meu presente, que nunca mais será o mesmo?
Me deixa tá.
Me deixa errar, dançar, sorrir, chorar, perdoar, começar algo novo, jogar tudo pro alto, beber, ler, ser quem eu quero ser.
E quem eu quero ser? Eu não sei.
Mas não se preocupa, eu sei o que eu não quero.
Você vai vir comigo? Por favor, venha! Deixa eu compartilhar essas mudanças com você! Deixa eu te contar dos meus erros, da minha sexta-feira, deixa eu compartilhar com você! Não se assusta, não se assusta... Eu ainda sou quem você conheceu.
Mas mudar, ah mudar! Isso é viver, é a prova de que eu respiro, a prova de vale a pena.
Vem comigo se quiser, porque eu tenho certeza de que essa vida vale a pena ser vivida. Fora da bolha que nós mesmos criamos.
Mas se você não quiser vir, que desperdício meu bem! Você vai perder, porque ainda há tanto para acontecer!
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