sábado, 2 de abril de 2011

Escrito em 2006 e sem título.

Em uma noite fria de sexta-feira, cinco amigos foram passear. Naquela cidade não havia muitos lugares para ir. Era assustador passear de noite lá, os ventos faziam muito barulho. Era uma cidade pequena com pessoas de mentes menores ainda.
A pessoa mais culta de lá era um garotinho, e era exatamente ele que estava passeando com mais quatro amigos. Quando chegaram perto de uma estrada (que não sabiam onde iria dar) decidiram terminar o passeio e voltar para casa, pois já estava muito tarde e muito frio.
Três desses amigos foram embora, mas Paulo e Camila não queriam sair de lugar nenhum. Para eles o passeio só estava começando. Perto da estrada havia uma casa com um pequeno jardim (que mais parecia morto). A casa era grande, e muito maltratada. Podia ser uma linda casa se lá não morasse uma velha, que dizia o povo, fazia bruxaria. Muitas pessoas já tentaram entrar na casa para ver se existia mesmo alguém morando lá, mas todas sumiram misteriosamente depois da busca. Mas como Paulo e Camila não acreditavam nesses boatos, queriam muito entrar na casa. Também dizia o povo que Camila se interessava muito por bruxaria e que Paulo sofria de uma doença da cabeça. Depois de pensar muito Camila decidiu que iria entrar na casa, mas Paulo preferiu seguir pela estrada. Mesmo com muito medo os dois fizeram um acordo. Primeiro iriam seguir a viagem pela pequena estrada e depois de satisfazerem sua curiosidade voltariam e entrariam na casa. A estrada, que era mais escura que a noite, estava mais assustadora do que o comum. Firmes e com confiança os dois amigos seguiram a viagem, que não sabiam se iria ter volta.
A estrada tinha uma quantidade de animais mortos inimaginável! Os ventos eram mais fortes e o frio castigava ainda mais os pobres amigos. A sexta-feira não era mais sexta e sim sábado. Já era muito tarde quando os dois ouviram um grito. Não haviam passado nem a metade daquela estrada quando perceberam que o grito vinha da casa. E como se um raio iluminasse a casa, viram uma forte luz branca sair do céu e ir direto para a casa da velha. Um segundo grito saiu da casa, mais forte do que o outro. E num passe de mágica tudo ficou quieto. Apenas o vento continuava a soprar. Os dois amigos saíram correndo, e por incrível que pareça a direção que eles estavam seguindo era para a casa.
A curiosidade era muito grande e o medo também, mas os dois corajosos amigos não desistiram de chegar a casa. Para a surpresa de Camila e Paulo, a porta estava entreaberta o que indicava que alguém havia entrado ou saído da casa misteriosa.
Com todo o cuidado eles abriam a porta. Uma visão terrível tomou os olhos dessas pobres crianças. Quem estava na casa eram eles mesmos. Só que mortos e sozinhos. A casa só mostrava o futuro, o que iria acontecer. Desesperados, os dois saíram correndo dali mais perdidos do que nunca! Simplesmente a porta que eles entraram estava fechada! E foi quando olharam para cima e viram uma luz igual a que viram antes. E o grito se repetiu, mas desta vez saiu da boca de Paulo. E como tinham visto o segundo grito saiu mais forte ainda... da boca de Camila...
Pobres crianças! Se não tivessem tanta curiosidade!

sábado, 26 de março de 2011

Vida pesada

Houve um terremoto. Tudo desmoronou e caiu sobre as cabeças daquelas pessoas. Vidas, momentos e sonhos interrompidos. Tudo rápido e forte. Havia um casal. Um jovem casal que tinha poucos meses de namoro. Eles estavam em casa juntos. Vendo um filme. O filme não importa. Talvez naquela hora podiam até se importar com o que estavam vendo. Engraçado como um segundo é suficiente para mudar prioridades de qualquer um.
Ela sonhava em ficar velha ao lado dele. E ele queria estar com ela enquanto fosse bom. Mas foram interrompidos. Ela mexeu os braços com dificuldade e tocou nos dedos dele.
As pernas dormiam, a cabeça doía. Tudo parecia ir se esvaecendo. Tudo estava no fim.
—Eu gostaria de passar o resto dos meus dias com você. – Disse ela com dificuldade.
—Eu também.
—Qual será o fim do filme?
—Não importa mais. – A voz grossa dele, ficava distante.
—Eu espero... Eu espero te encontrar de novo.
—Você nunca vai se afastar.
—Sabe... Eu sinto... Eu sinto que estou indo.
—Segure minha mão. – eles entrelaçaram seus dedos com dificuldade, o peso da vida esmagando seus corpos.
—Estamos juntos. – Ela disse.
—E ficamos juntos até o fim das nossas vidas.
—Era tudo que eu queria.
E então, adormeceram, e a sensação de sufoco desapareceu lentamente. O final do filme já não importava. Havia algo muito maior esperando por eles.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mark. Kathy.

Seus cabelos voavam lentamente de acordo com o vento. Encostavam-se a seu ombro delicado. Havia o sol. E o sol iluminava seu rosto pálido. E o sol iluminava seus olhos. Sempre os olhos... Mark poderia olhar para Kathy o dia todo. Se prender a cada detalhe do seu rosto perfeito. Havia o brilho. E o brilho era o que prendia Mark. Nos olhos. Será que eram assim porque eram da mulher que ele amava? Ou talvez isso fosse dela. Talvez só Kathy fosse capaz de ter aqueles olhos. Talvez, toda a alma dela estivesse lá. Ela sorriu. Com seu sorriso branco, reluzente. E seus cabelos voavam. Os longos fios castanhos batiam de leve no pescoço. Eram suaves. Todo seu ser passava paz. E nesse momento Mark tinha a certeza de que a amava.
Estavam na montanha. Tudo tinha um brilho diferente. Tudo era luz. Kathy estava ao lado de Mark em silêncio. Ninguém havia dito nada desde que chegaram ali. No outro dia, haviam tido emoções fortes demais. Ela estava despreocupada, como se tudo fosse aquele instante. Não haveria depois. Aquele era o momento. Estar ao lado de Mark, que, mesmo em silêncio dizia muita coisa. Mark tinha uma expressão séria. Suas mãos estavam um pouco cerradas. Como se ele se controlasse. Kathy olhou fixamente para Mark e ele não pode deixar de observar mais uma vez, como ela estava linda.


Só para nunca me esquecer deles.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Medo de dar certo.

Foi o perdendo pouco à pouco. Com seus erros, seu orgulho. E agora, nada mais resta, apenas algumas lembranças. Boas e ruins. Não importa. Lembranças do que foi. Saudade do que poderia ter sido. Ele sempre estivera lá. Sempre dizia as palavras certas. Era sempre o mesmo. Constante. E ela admirava essa qualidade de tal maneira! Havia procurado isso por tanto tempo.Alguns diziam que era o cara certo, outros não gostavam dele. Mas, Laura nunca soube se o conhecia realmente, ou se ele era muito bom em fingir. Trabalhavam juntos e foram se conhecendo aos poucos. Ele era tudo que um homem deveria ser. E ela era tudo que ele precisava. Mas, o tempo foi matando os sentimentos. Os sentimentos não... Eles existiam, e nem sempre eram lembrados. O tempo foi matando a vontade de tentar fazer dar certo.
Fazer dar certo...
Deveria dar certo sem tentar, deveria ser natural. Amor é natural. Mas não havia sido assim.
Era impossível achar algum erro grave naquele romance. Mas, talvez o medo de tudo realmente dar certo teria assustado Laura. Depois de uma decepção amorosa, as pessoas passam a não confiar tanto em si. Não confiar tanto nos outros.
Porém, eles estavam dando certo. E poderiam continuar assim, mas, as coisas não quiseram.
A vida não quis.
E, apesar de achar que era tudo perfeito, havia algo que não os deixou em paz. E esse algo, quando alimentado, cresce e mata tudo em volta.
Aparente orgulho escondendo insegurança.

Ainda bem que; para Laura, não existia um só amor na vida. Ela acreditava em momentos, e eternizaria os bons momentos que havia tido ao lado dele.
E só.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Cegueira.

—Faça isso.
—Você fala sério?
—Falo o que você deseja ouvir.
—Mas, Camila, eu preciso da sua opinião, de verdade!
—Querida, você não vai gostar.
—Por favor.
—Bem... De que vai adiantar? Digo, você acha que precisa, mas eu não acredito nisso.
—Mas amiga, eu sinto falta de ver as pessoas, as ruas, as coisas, a vida! Estamos cegas! E que alegria podemos ter se não podemos ver as coisas belas do mundo?
—Eu as vejo.
—Como?
—Jane. Quantas pessoas você já conheceu que podia enxergar?
—Inúmeras. Centenas.
—E quantas se importam e olhar? Quantas realmente veem?
—O que você define por ver...
—É sentir. Com a alma. Não é necessário olhos para se ver a vida. A vida está dentro de você.
—O pôr do sol! Camila! Eu nunca mais o vi!
—Eu não posso ver a luz do sol, é verdade. Mas minha pele ainda sente seu calor. Eu posso sentir até sua luz. Mas, me diga Jane, quantas pessoas pode ver o sol e ainda estão no frio, na escuridão?

domingo, 28 de novembro de 2010

Simples

A total falta de jeito dela com crianças, o encantava. Manuela tentava brincar com aquele pequeno ser, que parecia mais forte do que ela. Não lhe dava atenção, jogava os brinquedos no chão e emitia sons indecifráveis. Ela apenas sorria e passava a mão em sua cabecinha. Luís observava a cena escondido atrás da porta. Álias observá-la era uma das coisas que mais o deixava feliz. Como era pura e simples. Simplicidade... Uma qualidade tão pouco apreciada. Nela, era tão encantador. A forma como sorria, sem preocupações, o jeito que seus cabelos castanhos lhe caiam no ombro, leve. O modo como mexia as mãos. Seu jeito doce e ao mesmo tempo instigante de andar.
Decifrá-la era fácil. Sentia. E sabia o que sentia. Não tinha cicatrizes da vida. Não tinha medos, não tinha frustrações. Era puramente simples. Não sabia lidar com crianças e não escondia isso. Amava Luís, e apesar de não dizer todos os dias, ele sabia porque, quando chegava sentia o sorriso e o olhar apaixonado dela. Manuela ficava vermelha, o corpo todo tremia quando ele estava por perto. Ela não se importava em esconder e esses detalhes Luís nunca esqueceria.
A observava em sua perfeita imperfeição. A observava de longe, não querendo interferir naquele momento tão dela. Mas acabou emitindo um som sem querer, e sentiu os olhos dela pousarem sobre ele, rápidos.
Levantou-se e disse a Luís:
— Você estava escondido me olhando? – e sorriu, os dentes brancos contrastando com seus olhos negros. Sua voz extremamente doce e calma.
—É. Estava.
—Por que?
—Porque eu gosto de te ver.
—Por que?
—Porque a gente gosta de ver aquilo que ama.
—Então, você me ama?
—Eu amo.
—Eu já sabia.
—Sabia como?
—Sabendo. Amor a gente sente. Você sente o meu?
—Eu... Eu não sei...
—Eu te amo.
—Tenho que sentir o amor que você tem?
—Pega na minha mão. E diz o que sente.
—Você treme um pouco. E está suando frio.
—Você sente isso então?
—Sim.
—É amor. – e sorriu, simplesmente.

sábado, 2 de outubro de 2010

Se deixar

Ela se sentou um pouco distante dos trilhos do trem. Seus pensamentos voavam longe, enquanto estava ali, completamente só. Ventava.
Pensava em muitas coisas. Desde sua prova, passando pela saudade de seu pai, até chegar nele. Sempre havia um misto de tristeza e felicidade quando pensava nele.
Mas, pensando nele ela era levada a pensar nela. E como é difícil pensar em nós mesmos. Como dói às vezes admitir que havia dentro de si medo, erros, dúvidas e dor.
O trem estava vindo. O barulho da maria-fumaça. Ficando cada vez mais próximo. Seus pensamentos aumentavam a medida que o trem se aproximava.

Ela era um clímax. Tudo era assim na sua vida. Estava sempre no ponto crucial. Sempre pronta para o que viria a acontecer. O trem se aproximava. Todo clímax deveria ter um desfecho. Quando o trem passasse por ela e depois desaparecesse, seria o desfecho. E sua vida? Não, sua vida nunva tinha uma conclusão.

Tudo era clímax. Tudo era crucial. Cada palavra importava, cada atitude, mais ainda. Quem era ela? Qual seria seu despecho?
O trem passou na sua frente. Rápido, o vento aumentou, levantando seus cabelos.
Algums minutos em que viveu aquele clímax, fez mais perguntas a si mesma.

O trem estava indo embora. E e ela ficava. E foi então que descobriu.
Era preciso ser forte, e ao menos uma vez se deixar levar.